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Na sequência, documento técnico-científico sobre o tema, realizado por competentes estudiosos da Universidade Federal de Pernambuco
Economia de Pernambuco:
transformações recentes e perspectivas
no contexto regional globalizado
Ao longo deste trabalho procuramos mostrar os principais aspectos da evolução da economia de Pernambuco, ressaltando, inicialmente, as tendências de estagnação e declínio relativo observados ao longo das últimas décadas do século XX, bem como alguns de seus fatores explicativos.
Após experimentar tais dificuldades, a economia pernambucana vem, mais recentemente, demonstrando sinais de recuperação de dinamismo e de capacidade de articulação, que vem contribuindo para a atração de grandes projetos de investimento. Tais projetos, pelo seu elevado porte e pelas possibilidades de integração para frente e para trás, poderão implicar grandes transformações e alavancar o dinamismo da estrutura produtiva, a depender da capacidade de integração que a socioeconomia pernambucana venha a exibir. Por outro lado, também se verifica que setores já consolidados dessa economia deverão nos próximos anos enfrentar novos desafios para manterem sua competitividade.
Nesse sentido, como condicionante das mudanças esperadas, encontram-se algumas políticas implementadas, e a serem efetivadas, em nível estadual e federal, e algumas decisões estratégicas tomadas pelo governo brasileiro nos anos mais recentes. O exame dos grandes projetos estruturadores que estão implantando-se em Pernambuco revela também algumas carências e requerimentos estratégicos. Carências e requerimentos localizados na frágil capacidade das instituições de suporte ao desenvolvimento econômico diante dos desafios que se colocam com relação à necessidade de favorecer a integração dos tais projetos com o resto da economia. Em sendo os requerimentos da indústria petroquímica e de construção naval, por exemplo, muito elevados para a qualificação de fornecedores locais, é possível que as empresas pernambucanas não consigam habilitar-se à integração com os novos projetos. Para que isso seja evitado e uma integração bem-sucedida seja alcançada, é preciso implantar políticas específicas de apoio à capacitação empresarial, de mão-de-obra, de maior integração com a base local de C&T etc., o que ainda não está assegurado.
Afora isso, as políticas precisam ater-se também à necessidade de espraiar o desenvolvimento do Estado para as regiões interioranas, definindo incentivos diferenciados a favor de espaços menos dinâmicos, bem como incorporar a dimensão socioeconômica no que diz respeito a investimentos em infra-estrutura social, contemplando inclusive a área de segurança, para que a atração de investimentos complementares aos grandes projetos possa concretizar-se. Os desafios para que isso venha a ocorrer localizam-se, principalmente, nas limitações financeiras do Estado de Pernambuco e na ainda incipiente articulação de suas instituições de suporte com o setor privado.
Em suma, dúvidas persistem em meio às mudanças de percurso da economia pernambucana. Estes novos investimentos terão condições de modificar a realidade atual da economia local? Os impactos não estarão extremamente localizados sem transbordamento para o resto da economia? Como preparar uma economia desigual para um salto de desenvolvimento, sabendo que a qualificação de pessoal e a participação de capitais locais ainda são inadequadas para um novo paradigma de desenvolvimento, em um novo patamar tecno-econômico? Os setores tradicionais conseguirão superar as dificuldades que foram aqui mencionadas? São estas dúvidas que sugerem relativizar, por ora pelo menos, o novo surto de desenvolvimento que se anuncia. Cuidar para que sejam superadas é tarefa da maior importância.
João Policarpo R. Lima
Professor Associado do Departamento de Economia do Programa de Pós-Graduação em Economia (PIMES) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Abraham Benzaquem Sicsú
Pesquisador Titular da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ).
Professor Adjunto 4 de Engenharia de Produção na UFPE.
Membro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Maria Fernanda F. G. Padilha
Professora Assistente da UFPE – Núcleo do Agreste e Doutoranda do PIMES, da UFPE.
http://www.bnb.gov.br/projwebren/exec/artigoRenPDF.aspx?cd_artigo_ren=1062
Re 541 vista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 38, nº 4, out-dez. 2007
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