sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ESPAÇO CAPIBA

A casa onde o compositor pernambucano Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, morou durante quase quatro décadas, no bairro do Espinheiro, no Recife, preserva agora sua memória e parte de sua obra. Fechada há dois anos, a casa número 369 da rua Barão de Itamaracá foi alugada pela TGI e transformada no Espaço Capiba, inaugurado na última segunda-feira (26). 
Marcelo Veiga
WWW.PERNAMBUCO.TV
Ao mesmo tempo em que funciona como sede ampliada da TGI, Ágilis e INTG, aumentando o conforto para os clientes, o Espaço Capiba reverencia a memória do compositor. Assinado por AFM Arquitetos, o projeto de reforma procurou preservar toda a estrutura original da casa, com 274 metros quadrados, construída em 1948. O Espaço ganhou quatro grandes painéis fotográficos com imagens do compositor e um acervo composto por livros, LPs, partituras originais, fotografias e outros objetos, grande parte cedidos pela viúva de Capiba, Maria José Barbosa, a Zezita, que morou no imóvel até o ano de 2008. 

“Tinha muito medo que esse espaço fosse destruído ou transformado por quem alugasse a casa”, disse Zezita. “Fiquei muito feliz com o resultado e com a homenagem. Sei que, se Capiba pudesse ver, teria gostado”.
A inauguração contou com a presença de amigos pessoais de Capiba, como o cantor Claudionor Germano e o jornalista Aldo Paes Barreto, além de autoridades e convidados como a economista Tânia Bacelar; o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes; o vereador Luciano Siqueira; o deputado Pedro Eurico e o coordenador da Fundação Gilberto Freyre, Gilberto Freyre Neto. Houve apresentação do quarteto de cordas comandado por Anatálio Teixeira, executando composições de Capiba.Ao falar para os convidados, Francisco Cunha, diretor da TGI, destacou a importância da obra de Capiba para a cultura não só pernambucana, mas nacional. “Tenho convicção de que, se Capiba tivesse nascido no Sudeste ou em outro País, ele seria um artista de projeção internacional”, assinalou. Francisco  também destacou a necessidade de outras iniciativas voltadas para a preservação da história, da obra e do acervo do compositor.  “Capiba costumava dizer que os pernambucanos têm pouco memória. Esse espaço é uma pequena tentativa de contradizê-lo”. 

Preservação - O projeto de reforma do Espaço Capiba preservou as características originais da casa. Foi mantida toda a divisão original dos cômodos, além da  azulejaria dos banheiros, janelas, piso, grades e até mesmo alguns objetos que fizeram parte do dia-a-dia de Zezita e Capiba, como o fogão. Um dos destaques do Espaço Capiba é a antiga sala principal da casa, onde o compositor passava a maior parte do tempo, assistindo televisão, lendo, tocando ou compondo. A sala ganhou um painel de 3m x 2,72m com uma fotografia de Capiba em seu piano C.Bechstein, o único que teve ao longo da vida. 
Outros painéis fotográficos compõem as demais áreas da casa. Na entrada, uma imagem de Capiba no desfile do Galo da Madrugada, em uma foto de 1,3 m x 3,9m.  Na recepção, o destaque é uma partitura da música "De Chapéu de Sol Aberto", ao lado da imagem do compositor. No primeiro andar, outro painel fotográfico mostra Capiba na janela da casa. Parte das imagens foi adquirida pela TGI junto aos fotógrafos Leo Caldas, Barbara Wagner e ao Jornal do Commercio, e outras fotos pessoais foram doadas por Zezita. A comunicação visual do Espaço Capiba é assinada pela designer Neide Câmara. "Casamos em 1960 e já no ano seguinte viemos para esta casa, onde ele morou até morrer", conta Zezita. Segundo ela, Capiba passava a maior parte do tempo dentro de casa, na sala do piano. "Lá ele tinha tudo o que precisava: televisão, jornal, tesourinha de unha e o piano. Era o canto preferido dele", conta. Era também neste espaço que o casal recebia a visita frequente de amigos como os escritores Ariano Suassuna e Maximiano Campos, o poeta Marcus Accioly, o jornalista e teatrólogo Hermilo Borba Filho, entre outros. "A casa vivia sempre cheia de gente, do Brasil e do exterior", relembra Zezita. Hoje, a viúva de Capiba mora em Surubim, terra natal do compositor. "Estamos tentando criar um memorial ou museu, em Surubim ou no Recife, para preservar a obra de Capiba, mas é um processo muito difícil, demorado", diz. "É importante que a casa onde ele morou por tanto tempo ajude a preservar essa memória". A sede da TGI Consultoria em Gestão já funciona há 18 anos no número 293 da rua Barão de Itamaracá, a cerca de 50 metros do Espaço Capiba. "Quando surgiu a possibilidade de alugar a casa, vimos que era uma ótima oportunidade de ampliar nossa estrutura e ao mesmo tempo preservar a memória de um dos maiores nomes da cultura pernambucana", explica Teresa Ribeiro, sócia da TGI. A área do Espaço Capiba será utilizada para atendimento aos clientes e para arquivo da TGI, Ágilis e INTG.

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