sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BAOBÁS DO RECIFE

Marcelo Veiga
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O baobá é de origem africana e não há registros de como ela chegou ao Recife; possivelmente, veio com alguns escravos africanos (ou seus traficantes), ou foi trazida pelo Conde Maurício de Nassau; o certo é que o baobá adaptou-se muito bem a Pernambuco.


Pernambuco é o Estado com o maior número de baobás catalogados oficialmente no Brasil, com 16 exemplares, 11 dos quais no Recife. No vizinho Rio Grande do Norte, há registros de baobás em Natal (esse baobá foi batizado de baobá do Diógenes e, segundo alguns estudiosos, teria sido o exemplar que Saint-Exupery teria de fato visto quando de sua passagem pelo Brasil), em Nísia Floresta, em Pedro Velho e a impressionante marca de 11 baobás em Açu. Em Fortaleza, existe um baobá na Praça do Passeio Público 


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Com esses números, Recife se auto-intitula a cidade dos baobás fora da África. Mas o que poderia tornar-se atrativo turístico, não o faz porque não recebe a devida atenção do poder público. E esse descaso mantém parte dos exemplares desconhecidos da população.
O mais famoso dos baobás do Recife está na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no bairro de Santo Antônio (foto abaixo). Todos os dias, turistas e visitantes locais posam para fotos ao lado da árvore; apesar do status de estrela, chega a sofrer pichações no tronco.


baoba-recife
Outros exemplares estão em situação ainda pior; acesso difícil, vandalismo e falta de cuidados são alguns dos problemas.
Um dos baobás mais antigos e de tronco mais grosso, com aproximadamente 16 metros de circunferência, está praticamente abandonado, na Rua Madre Loyola, nas Graças, Zona Norte; num local de difícil acesso, cercado de mato, entre o Rio Capibaribe e um muro e sem placa de identificação, fica à mercê dos que cortam seus galhos e depredam o tronco.
No Poço da Panela, Zona Norte, o baobá da Rua Marquês de Tamandaré também não tem placa indicativa; uma mureta de cimento foi construída sobre as raízes da árvore, localizada próxima a um condomínio.
Atrás do Mercado da Encruzilhada, Zona Norte, está um dos mais jovens baobás tombados, com pouco mais de 20 anos; foi plantado em 1985 pela Prefeitura do Recife num “movimento pelo resgate de alguns símbolos do Recife”, como explica o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), então prefeito da cidade – responsável pelo tombamento de seis dos 11 baobás. Na mesma época, a administração municipal plantou mudas na Praça Chora Menino, no Paissandu, área central, e no Engenho do Meio, Zona Oeste. Esses exemplares não são tombados.
No Fundão, Zona Norte, o baobá centenário apelidado de barriguda é protegido apenas por um gradil, que não impede pichações na planta, nem o acúmulo de lixo e detritos em seu entorno.  “Em outras cidades, o potencial turístico dessas árvores é aproveitado. Aqui, apesar de ser um símbolo, é subestimado pelo poder público”, critica o funcionário público e turismólogo Fernando Batista, pesquisador de baobás.
A Prefeitura pretende mudar esse quadro de abandono. Segundo o diretor de Meio Ambiente da Prefeitura do Recife, Mauro Buarque, o município está concluindo um roteiro para incentivar a exploração turística dos baobás. “A partir disso, tentaremos captar recursos com o setor privado e também propor a adoção das árvores, como acontece com praças e parques, incentivando, também, a divulgação do potencial didático delas.” Buarque acrescenta que o baobá é a árvore com mais exemplares tombados da cidade e que a prefeitura também quer valorizar espécies nativas, como gameleira e mangueira.
Resta aguardar para ver o quão efetivo será esse projeto.


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